A discussão sobre publicações que associam o presidenciável Flávio Bolsonaro a um suposto projeto para retirar de Nossa Senhora o título de padroeira do Brasil virou mais um foco de atrito entre ministros do Supremo Tribunal Federal. A análise que poderia unificar entendimentos divergentes de decisões monocráticas foi retirada da pauta pelo presidente do STF, Edson Fachin, numa decisão que evita confronto imediato, mas desloca a tensão para o Tribunal Superior Eleitoral.
O conflito começou depois de pedidos de remoção de postagens nas redes sociais. O ministro André Mendonça atendeu à solicitação da defesa do candidato e determinou a retirada de conteúdos. Flávio Dino, do STF, reverteu a medida alegando proteção à liberdade de expressão; em seguida, Luiz Fux suspendeu a decisão de Dino e restabeleceu a derrubada das postagens. Diante da sequência de ordens conflitantes, Fachin optou por adiar o debate no plenário do Supremo para evitar nova escalada entre magistrados já marcados pelo desgaste do caso Banco Master.
Fontes consultadas pelo Correio apontam que a estratégia do presidente do STF é ganhar fôlego institucional e avaliar alternativas processuais, incluindo a possibilidade de que o TSE, Corte especializada em matéria eleitoral, decida primeiro sobre a questão. Na prática, a transferência do confronto para o Tribunal Eleitoral não resolve a dimensão política do episódio: as publicações e as medidas judiciais repercutem diretamente na campanha e alimentam narrativas sobre censura, militância digital e proteção de reputação de candidatos.
Kassio Nunes Marques, presidente do TSE, pautou para sessão virtual a análise da decisão de Mendonça, levando o tema a um colegiado com composição distinta – mas que também reúne ministros com visão variada sobre liminares e liberdade de expressão. A sinalização é clara: a disputa judicial continua, e a postergação no STF somente posterga o embate público. Para o governo e para os candidatos, o efeito imediato é político: o caso expõe fragilidades na condução de temas sensíveis e acende alerta sobre o uso de instituições para resolver disputas eleitorais.