Ao abrir a 15ª sessão ordinária do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), que marca o primeiro ano de sua gestão, o presidente do Supremo Tribunal Federal, Edson Fachin, defendeu que o papel das instituições é servir à sociedade. No discurso de prestação de contas, o ministro destacou que o estoque de processos pendentes caiu cerca de 10% — de 16,40 milhões no fim de 2025 para 14,76 milhões em julho de 2026 — e listou produção: 18 sessões presenciais com 136 processos julgados, 23 sessões virtuais que resultaram em 567 decisões, além de 34 procedimentos disciplinares com sanções aplicadas em 30 casos.
Os números sinalizam ganhos de eficiência administrativa e modernização, segundo o próprio Fachin, que também registrou 22 revisões disciplinares (com 5 penalidades), 47 resoluções aprovadas e 7 recomendações editadas. Para 2027, o CNJ prevê três eixos prioritários: combate à violência contra a mulher, fortalecimento da rede de magistrados no enfrentamento ao crime organizado e aceleração de processos previdenciários e assistenciais — pautas que tocam diretamente a percepção pública sobre rendimento e foco do Judiciário.
Ao mesmo tempo, a defesa institucional feita pelo presidente do STF ocorre num momento sensível para a Corte. Revelações sobre contatos de ministros com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro e decisões divergentes em processos relacionados à disseminação de uma fake news sobre Nossa Senhora Aparecida têm alimentado críticas e levantado dúvidas sobre coerência e transparência. Esses episódios expõem contradição entre a narrativa de modernização e o desgaste de autoridade simbólica do tribunal, e acendem alerta sobre o custo político de falhas de imagem para um poder que depende, em grande parte, da confiança pública.
Em termos práticos, a situação complica a narrativa oficial: avanços operacionais não neutralizam o impacto de dúvidas sobre ética e consistência decisória. Para além dos números de produtividade, o CNJ e o STF enfrentam pressão por maior clareza nos procedimentos internos e por mecanismos que preservem a imparcialidade institucional. A combinação entre resultados administrativos e crise de credibilidade define o desafio político do próximo período: transformar eficiência em recuperaçao de confiança, sob risco de ver crescer a resistência política e social às decisões do Judiciário.