O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, cancelou a sessão da tarde desta quarta-feira (9/9) que ocorreria no plenário a partir das 14h. A medida ocorre em meio à crise desencadeada pelo caso Banco Master e por uma sequência de decisões individuais dos ministros Alexandre de Moraes, André Mendonça e Flávio Dino, que tensionaram a rotina colegiada da Corte. Na esteira dos episódios, o ministro Luiz Fux também havia cancelado sessão da Segunda Turma prevista para terça-feira (8).
Na manhã desta quarta, Flávio Dino expediu despacho que anulou a determinação de André Mendonça que havia afastado o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues. Com a decisão de Dino, o diretor deve retomar a direção da corporação nas próximas horas. No despacho, segundo registros, o ministro afirmou que Mendonça não poderia tomar nova decisão validando posição anterior, o que reacendeu o debate sobre limites das decisões monocráticas.
Fachin justificou a suspensão por necessidade de tratar administrativamente o episódio e deu prazo de 72 horas para que os envolvidos se manifestem. A expectativa é de que o presidente convoque uma reunião administrativa da Corte para tentar conter o desgaste. A demora de Fachin em agir já vinha sendo alvo de críticas internas, na avaliação de ministros e observadores, como fator que ampliou a percepção de desorganização institucional.
Além do impacto imediato sobre a condução da Polícia Federal e sobre o calendário do STF, os fatos trazem efeitos políticos e institucionais: expõem fragilidades na coordenação entre ministros, aumentam a incerteza sobre decisões colegiadas e pressionam a presidência da Corte a buscar uma saída que recupere a normalidade e a credibilidade da instituição. A solução rápida e transparente será essencial para evitar novo desgaste público.