O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, cancelou a sessão extraordinária do plenário marcada para a tarde de quinta-feira (17/9). O encontro, que estava previsto para as 14h, tinha como ponto central a retomada do julgamento sobre a aplicação do Estatuto da Pessoa Idosa aos contratos de planos de saúde celebrados antes de 30 de dezembro de 2003. Em comunicado, a Corte informou que a suspensão aconteceu "por determinação da Presidência do Supremo Tribunal Federal".
A decisão ocorre dois dias após uma sessão tensa, na terça-feira (15/9), dedicada aos desdobramentos do chamado caso Master, que foi interrompida após pedido de vista do ministro Flávio Dino. Nos momentos finais daquele plenário, Gilmar Mendes e André Mendonça protagonizaram um confronto verbal que ganhou desdobramentos públicos: Gilmar voltou a criticar a conduta do colega; o gabinete de Mendonça respondeu afirmando que divergências internas são legítimas, mas que tentativas de constranger julgadores são inaceitáveis, e defendeu ainda a discussão sobre um código de ética para a Corte. Paralelamente, tornou-se público um ofício de Gilmar a Luiz Fux em que o decano questiona a convocação de sessão da Segunda Turma que ratificou decisão de Mendonça de afastar o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, apontando possível ajuste prévio entre Fux e Mendonça.
Suspensões sucessivas convocadas pela presidência — Fachin já havia adiado sessões na semana anterior — destoam da prática recente do tribunal, em que interrupções ocorriam por falta de quórum, ausências ou recesso. O plenário exige ao menos sete ministros para julgar, o que torna reuniões coletivas vulneráveis a imprevistos. Mas o adiamento agora assume caráter político: além de atrasar uma decisão que tem impacto direto em consumidores idosos e no setor de saúde suplementar, acende alerta sobre desgaste dentro da própria corte e sobre a capacidade do STF de gerenciar crises internas sem prejudicar sua agenda decisória.
A escalada pública entre ministros amplia o custo político para a presidência do tribunal e reforça cobranças por normas de conduta e transparência. Do ponto de vista institucional, há risco de aumento da judicialização de conflitos internos e de politização das decisões — ameaça que pode minar a confiança pública. A consequência prática imediata é a postergação de um julgamento com efeitos econômicos e sociais reais; no médio prazo, resta à presidência buscar mecanismos processuais e éticos para restaurar rotina de trabalho e evitar que disputas internas transformem-se em entrave permanente ao funcionamento do Supremo.