O presidente do Supremo Tribunal Federal, Edson Fachin, determinou à Polícia Federal que envie à Presidência do STF todos os dados, documentos e indícios sobre o caso Banco Master que eventualmente mencionem integrantes da Corte, sem exceção de pessoa. Em ofício ao diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, Fachin afirmou o interesse institucional do tribunal no esclarecimento dos fatos e condicionou a tomada de providências ao recebimento formal dos elementos apuratórios.

No documento, o ministro também ressaltou a importância da independência das investigações conduzidas pela Polícia Federal e pelo Ministério Público, dentro das competências constitucionais e processuais. Fachin tem mantido interlocução com a cúpula da PF: os dois se reuniram em 17 de agosto no STF e em 31 de agosto no CNJ, e há encontro agendado para a próxima semana para tratar especificamente do caso Master.

Os elementos que circulam nas apurações e nos vazamentos citam, segundo relatos públicos, nomes associados a diferentes graus de relação com o episódio — entre eles, Dias Toffoli, Alexandre de Moraes, Kassio Nunes Marques e André Mendonça — e também referências a contratos e pagamentos ligados a escritórios e a um desembargador citado em documentos. As menções envolvem contratos de consultoria, pagamentos e registros de deslocamento ligados a empresas associadas ao ex-banqueiro Vorcaro, protagonista das investigações.

O gesto de Fachin tem dupla leitura: afirma a necessidade de transparência do próprio Supremo e, ao mesmo tempo, acende alerta sobre o desgaste institucional que denúncias envolvendo magistrados podem provocar. O encaminhamento integral das informações tende a aumentar a pressão por respostas públicas e técnicas, obrigando PF, MP e a Presidência do STF a agir com celeridade e rigor — sem atropelos — para preservar a credibilidade das instituições. A próxima fase será definida conforme os elementos formalmente remetidos à Corte.