O presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Edson Fachin, colocou na agenda pública a necessidade de adaptação das instituições ao que chamou de “colmeia digital”. Em discurso de abertura do XXVI Seminário Ética na Gestão, na sede do Banco Central, ele afirmou que a revolução tecnológica e o papel central das redes sociais mudaram as formas como o debate público é travado e ampliaram as exigências sobre o Estado.

Fachin relacionou essa mudança à decisão recente sobre o Marco Civil da Internet — que, segundo ele, está entre as mais relevantes da última década no STF — e defendeu que a inovação no setor público seja guiada por princípios éticos. A mensagem é clara: a qualidade técnica das decisões judiciais e administrativas deixou de ser, por si só, suficiente para sustentar a confiança da população.

é preciso dizer bem, mas é preciso dizer mais

A consequência prática é que órgãos públicos precisam ganhar eficiência comunicacional. ‘‘É preciso dizer bem, mas é preciso dizer mais’’, disse o ministro, sublinhando a demanda social por informação acessível e contínua. Trata-se de um argumento com implicações políticas e institucionais: sem uma estratégia pública de comunicação — coordenada entre Poderes e com capacidade técnica — decisões relevantes correm o risco de perder legitimidade perante uma opinião pública que consume informação em plataformas digitais.

O seminário, promovido pela Comissão de Ética Pública com apoio da Controladoria-Geral da União, reuniu representantes dos Poderes, da academia, da imprensa e da sociedade civil. A proposta de Fachin exige, na prática, investimento em formação, processos e diálogo intersetorial para que o enfrentamento dos desafios tecnológicos seja visto como exercício de ética pública e sinal de maturidade institucional — uma cobrança que os responsáveis pela gestão pública não podem relegar a segundo plano.