No evento de inauguração da exposição pelos 135 anos da Biblioteca Augusto Nunes Leal, o presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Edson Fachin, defendeu a abertura de um debate público e ético sobre a inteligência artificial. Em sua avaliação, a tecnologia tem cumprido funções úteis, mas não pode evoluir desconectada dos valores que orientam a vida em sociedade.

Fachin destacou que a IA pode contribuir objetivamente para a organização de acervos, curadoria e catalogação, sem que isso seja necessariamente oposto ao papel dos livros físicos. Para o ministro, o acervo material mantém uma utilidade singular por sua perenidade, contra a volatilidade do ambiente digital, onde o conhecimento corre risco de se diluir.

Do ponto de vista institucional, a ênfase do presidente do STF acende alerta sobre a necessidade de conciliar inovação com salvaguardas éticas. A colocação do magistrado reforça a ideia de que ferramentas técnicas exigem compromissos claros com direitos, transparência e responsabilidade — temas que tendem a mobilizar Legislativo, Executivo e Judiciário.

O recado, discreto porém relevante, complica a narrativa de uma adoção tecnológica puramente instrumental. Abrir a discussão sobre limites e critérios éticos implica demandas por regras, mecanismos de prestação de contas e proteção do patrimônio intelectual — elementos que terão impacto direto sobre políticas públicas, contratos e a administração de instituições culturais e jurídicas.