Em discurso nesta segunda-feira, o presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Edson Fachin, reabilitou a imprensa investigativa como um bem público essencial à democracia. Para Fachin, o papel do jornalismo de fiscalizar o poder — ao investigar e cobrar coerência entre discurso e prática — não fragiliza instituições, mas as fortalece ao exigir transparência e responsabilidade dos agentes públicos.

O ministro defendeu a existência de uma “tensão saudável” entre os que exercem poder e os que os fiscalizam, observando que o excesso de harmonia tende a gerar mais suspeitas do que confiança. No campo institucional, apontou avanços concretos: a criação do Conselho Nacional de Justiça, painéis de dados abertos e relatórios de gestão que ampliam a visibilidade sobre a administração do Judiciário. Também citou o Observatório Nacional de Integridade e Transparência (Onit) como iniciativa recente voltada à prevenção e gestão de conflitos de interesse.

Fachin fez uma advertência relevante ao jornalismo e ao público: apuração e exposição de fatos não equivalem a julgamento. A crítica mira práticas de espetacularização — narrativas simplificadas que privilegiam audiência imediata em detrimento da compreensão e do respeito aos processos legais. Em sua leitura, investigar é necessário; condenar publicamente, sem os trâmites devidas, constitui risco institucional e reputacional para atores e para o próprio sistema de justiça.

Além de defender ferramentas tecnológicas como portais de transparência e dados abertos, o presidente do STF alertou para seus limites: informação fragmentada ou de difícil entendimento pode criar uma aparência de transparência sem eficácia. No centro do discurso ficou a ideia de que integridade pública vai além da ausência de crime, abrangendo uso adequado de recursos, resistência a privilégios não declarados e a prioridade do interesse coletivo. Para quem acompanha a relação entre imprensa, poder e instituições, a fala de Fachin reforça a necessidade de combinar abertura de dados com padrões responsáveis de apuração e debate público.