O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, afirmou nesta segunda-feira, em palestra na Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo, que a independência judicial é um pilar inegociável para a preservação da democracia constitucional, do Estado de Direito e dos direitos fundamentais. A fala foi proferida no Congresso Brasileiro de Direito e Políticas Públicas, evento que reúne juristas e gestores públicos.

Fachin enfatizou que a autonomia de juízes e tribunais não se trata de um “privilégio corporativo”, mas de uma garantia para a sociedade: sem magistrados independentes não há proteção efetiva de direitos; sem tribunais autônomos, perde-se o controle sobre o exercício do poder e a supremacia da Constituição. O presidente do STF alertou para pressões contemporâneas — internas e externas — que têm questionado o papel das instituições responsáveis por proteger a ordem constitucional.

Na avaliação do ministro, a defesa institucional precisa andar junto com ações práticas. Nesse sentido, Fachin destacou o papel do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) na promoção da cidadania: políticas para ampliar o acesso à Justiça, fortalecer a proteção de grupos vulneráveis e aperfeiçoar a prestação jurisdicional foram citadas como instrumentos concretos para traduzir autonomia em resultados sociais.

A ênfase do presidente do STF acende alerta sobre o cenário público: a repetida menção a pressões e questionamentos indica desgaste no prestígio das cortes e exige reação institucional. Para além do tom jurídico, a mensagem tem implicações políticas claras — reforça a necessidade de confiança nas instituições e sinaliza aos poderes e à sociedade que a preservação das garantias constitucionais continuará sendo tema central no debate público.