O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, decidiu que o pedido de investigação sobre os repasses destinados ao filme Dark Horse ficará sob a relatoria do ministro André Mendonça. A ação, protocolada pelo deputado Lindbergh Farias (PT-RJ), mira repasses solicitados pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ao empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master — do total pedido de R$ 134 milhões, R$ 61 milhões teriam sido efetivamente enviados, segundo a peça inicial.
A opção de Fachin atende ao critério de conexão: Mendonça já relata inquéritos envolvendo o Banco Master, o que justifica a reunião das apurações em um único gabinete técnico. Alexandre de Moraes chegou a ser apontado como relator do pedido por haver tramitação correlata que levou à condenação de Eduardo Bolsonaro por coação, mas solicitou a Fachin avaliação sobre eventual redistribuição do caso.
A Procuradoria-Geral da República (PGR) se manifestou favoravelmente à transferência, e Fachin também pediu parecer da área técnica do Supremo antes de decidir. Cabe agora a Mendonça avaliar se a Corte autoriza a abertura formal do inquérito para apurar possíveis desvios de finalidade dos recursos, hipótese levantada por Lindbergh, que sustenta que valores teriam chegado a Eduardo Bolsonaro e financiado articulações no exterior.
Além do efeito processual imediato — concentração de investigações com elos ao mesmo grupo econômico — a decisão tem repercussão política. Coloca no centro do debate a relação entre atores políticos, grupos financeiros e a produção audiovisual vinculada a campanhas de imagem, e pressiona atores institucionais a explicarem a origem e o destino dos recursos em disputa. Mendonça terá nas mãos uma decisão que pode avançar ou limitar o alcance das apurações.