O presidente do Supremo Tribunal Federal, Edson Fachin, afirmou nesta sexta-feira que pretende avançar com o encerramento do inquérito das fake news — aberto em 2019 e relatorado por Alexandre de Moraes — e defender a criação de um código de conduta para os integrantes da Corte. As declarações foram dadas no Palácio do Planalto, ao lado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e do ministro da Advocacia‑Geral da União, Jorge Messias.

Fachin evitou respostas intempestivas e reforçou um discurso de preservação institucional, dizendo que a Corte dará uma resposta rigorosa e sem omissões. A fala busca transmitir controle diante do aumento da pressão sobre o tribunal, mas também expõe que o plenário enfrenta um momento de fragilidade interna, com movimentações e pedidos de investigação envolvendo ministros.

O anúncio ocorre um dia depois de Lula cobrar integridade nas apurações relacionadas ao caso Banco Master e em meio à nova tensão no Supremo, que ganhou dimensão pública após pedido de investigação apresentado por Alexandre de Moraes contra o ministro André Mendonça. A conjunção de episódios amplia o escrutínio sobre decisões de magistrados e sobre a transparência dos procedimentos internos do tribunal.

Do ponto de vista político, a proposta de um código de conduta e a sinalização para encerrar o inquérito das fake news têm duplo efeito: pretendem restabelecer normas e reduzir atritos, mas também podem acirrar disputas sobre competência e relatoria. Se mal conduzida, a iniciativa corre o risco de virar fonte de conflito entre ministros e de alimentar narrativas de intervenção política no Judiciário.

A movimentação pública de Fachin, com a presença de autoridades como o procurador-geral, o chefe da Polícia Federal e magistrados, busca reafirmar uma saída institucional. Resta aos ministros transformar a retórica em medidas claras que preservem a legalidade sem aprofundar divisões internas que já pressionam a credibilidade do Supremo.