Um embate público entre o presidente do Supremo Tribunal Federal, Edson Fachin, e o ministro Flávio Dino marcou a sessão desta terça-feira (15/9), dedicada a examinar as mensagens atribuídas a Alexandre de Moraes encontradas no celular do ex-banqueiro Daniel Vorcaro. O choque aconteceu quando Dino interrompeu uma fala de Dias Toffoli, que narrava ter sido aconselhado por Dino a se afastar da relatoria de investigações envolvendo o Banco Master, e recebeu de Fachin a cobrança para pedir autorização antes de intervir.
A discussão trouxe à tona uma divergência sobre o protocolo de sessões: a presidência exige autorização para quem deseja tomar a palavra, segundo o regimento interno da Corte, e Fachin afirmou que seguiria esse procedimento. O episódio reapareceu mais tarde, quando, durante o voto do decano Gilmar Mendes, Dino insistiu em obter um aparte e fez referência, em tom irônico, à exigência já sinalizada pelo presidente.
Além do choque de estilo, o conflito revelou um ponto substantivo do debate judicial: Dino sustentou que um relatório da Polícia Federal relacionado ao caso nunca foi apreciado pelo colegiado, sugerindo que houve tratamento monocrático do material por parte de Fachin. Essa afirmação coloca em xeque a transparência e o rito adotado em decisões sensíveis, e pode alimentar questionamentos sobre eventual arquivamento sem exame coletivo.
Do ponto de vista institucional, o episódio expõe contradição na condução das sessões e complica a narrativa oficial de normalidade na Corte. A troca de intervenções públicas entre ministros tende a reforçar percepção de tensão interna e abre espaço para que partidos e interessados explorem procedimentos em recursos e críticas públicas. Mais do que um choque pessoal, os desdobramentos processuais sobre como o relatório da PF foi tratado terão impacto direto na legitimidade das decisões sobre a possibilidade de investigar o ministro Moraes.