Na abertura da sessão plenária desta quinta-feira (18), o presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Edson Fachin, marcou os 24 anos de atuação do ministro Gilmar Mendes na Corte. Ingressado em junho de 2002 por indicação presidencial, o decano alcança agora uma marca que, nas palavras de Fachin, ultrapassa o mero repouso cronológico e adquire significado para a história recente da jurisdição constitucional brasileira.
Fachin destacou que Mendes deixou de ser apenas um nome entre pares para se tornar protagonista das transformações que moldaram o Supremo no primeiro quarto do século XXI. Segundo o presidente, esse período foi marcado por expansão das atribuições constitucionais, refinamento dos métodos de deliberação interna e maior interlocução com a sociedade — processos aos quais a atuação do decano contribuiu, especialmente pela valorização de audiências públicas e pela abertura a especialistas e representantes civis.
Além da atividade jurisdicional, o presidente do STF registrou a intensa presença de Gilmar no meio acadêmico. Professor e autor de referência, o ministro foi apontado como agente de integração entre universidade e magistratura, com papel relevante na formação de profissionais do sistema de Justiça. Fachin reforçou a ideia de que, quando trajetórias individuais se entrelaçam com a história institucional, a biografia e a identidade do órgão passam a ser indissociáveis.
A celebração dos 24 anos, além de reconhecer serviços prestados, tem implicações institucionais: evidencia a persistência de formação e influências que moldam debates internos e repercutem no ambiente jurídico e político. Em um tribunal cada vez mais exposto ao escrutínio público, a trajetória do decano coloca em evidência a importância do diálogo entre tradição acadêmica e prática jurisdicional, ao mesmo tempo em que lembra a relevância da renovação e da transparência na consolidação do Estado democrático de direito.