O presidente do Supremo Tribunal Federal, Edson Fachin, afirmou no Planalto que a resposta do Judiciário às suspeitas envolvendo o caso Banco Master e o vazamento de conversas será conduzida estritamente segundo a Constituição e o ordenamento jurídico. Em tom de contenção, Fachin prometeu cumprir os trâmites legais e estabeleceu prazo de cinco dias para que o ministro André Mendonça e o procurador‑geral da República, Paulo Gonet, apresentem suas manifestações sobre as denúncias e pedidos formalizados na semana passada.

A tensão entre ministros ganhou corpo nos últimos dias: Mendonça pediu a abertura de inquérito contra o ministro Alexandre de Moraes após relatório da Polícia Federal apontar indícios de relação entre Moraes e o ex‑banqueiro Daniel Vorcaro; em resposta, Moraes encaminhou ao presidente do STF pedido de apuração sobre a atuação de Mendonça como relator em operações da PF. Paralelamente, o chefe do Ministério Público Federal solicitou a anulação da investigação envolvendo as conversas. O cenário emergiu justamente durante a sanção de leis que criam fundos para modernizar a Justiça, quando o presidente Lula também cobrou transparência e igualdade de aplicação da lei.

O discurso de Fachin busca enquadrar a crise num rito institucional, mas não a resolve automaticamente. Ao afirmar que não há “atalhos” — numa clara rejeição a respostas apressadas —, o presidente do STF tenta preservar a legalidade como remédio para o desgaste público. Ainda assim, o confronto interno entre ministros, somado aos vazamentos seletivos denunciados pelo Planalto, amplifica o risco de perda de credibilidade das instituições, conforme advertiu o próprio presidente da República. A situação cria um dilema: acelerar medidas para demonstrar resposta firme ou seguir passos formais que podem ser interpretados como lentidão diante da opinião pública.

Na prática, o prazo de cinco dias impõe um ritmo que pode obrigar definições rápidas sobre eventuais conflitos de competência e sobre a tramitação dos pedidos. A prioridade anunciada por Fachin — cumprir a Constituição e as garantias do devido processo — é necessária para legitimar o desfecho, mas não elimina o custo político imediato. A devolutiva das partes e a forma como o STF conduzirá as apurações nas próximas semanas dirão se a Corte recupera margem de confiança ou se o episódio prolonga um ambiente de tensão institucional com efeitos sobre a percepção pública do Judiciário.