O presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Edson Fachin, afirmou na abertura do seminário "A Justiça do Amanhã", no Museu do Amanhã, que o futuro do Judiciário será construído por escolhas presentes e exige equilíbrio entre rapidez e cautela. Para ele, a Justiça não é chegada definitiva, mas um caminho de correções contínuas guiado pela dignidade e pela fraternidade — expectativas que colocam limites políticos e éticos ao uso da tecnologia em decisões públicas.

Fachin reconheceu as vantagens claras da automação: maior capacidade de processamento, organização de precedentes e redução de tarefas burocráticas. Ao mesmo tempo, advertiu sobre limitações intransponíveis dos sistemas algorítmicos, sobretudo na incapacidade de compartilhar sofrimento e assumir responsabilidade moral. É um argumento que reduz a ideia de substituição plena da atuação humana e coloca o Judiciário no centro do debate sobre regulação e responsabilidade por algoritmos.

No campo prático, a posição do presidente do STF sinaliza demandas explícitas ao Legislativo e aos reguladores: não basta eficiência técnica se a legitimidade institucional sofrer erosão. Combater a desinformação e a manipulação algorítmica, defendeu o ministro, exige coordenação entre plataformas, imprensa, academia, sociedade civil e parlamento — uma agenda interinstitucional que pode significar pressão por novas regras e maior escrutínio sobre empresas de tecnologia.

Outro eixo do discurso foi a emergência climática, tratada como um conflito intergeracional que já chega aos tribunais por meio de ações sobre racismo ambiental, proteção de biomas e direitos de gerações futuras. Ao citar pensamento indígena sobre o valor intrínseco da vida, Fachin ampliou o papel do Judiciário para além da resolução de disputas imediatas, apontando para uma função preventiva e de proteção de bens comuns — tema que tende a reforçar demandas por decisões com custos políticos e econômicos relevantes.

A mensagem geral do seminário combina prudência tecnológica com apelo ético: preservar a confiança social é condição para que a autoridade judicial subsista. Em linguagem que mistura filosofia e prática institucional, Fachin colocou o STF como ator que não pode delegar rupturas morais às máquinas, mas que também precisa articular respostas concretas com Legislativo e sociedade para regular tecnologia, proteger dados e enfrentar questões climáticas que atravessam gerações.