O presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Edson Fachin, conclamou nesta segunda-feira, no Conselho Nacional de Justiça, que juízes cultivem a "resiliência" diante de incompreensões e ataques. O tom buscou combinar defesa da magistratura com a abertura para críticas que sirvam ao aperfeiçoamento das instituições.
As declarações chegam em meio a um clima de tensão no Judiciário, provocado por reportagens e investigações sobre relações próximas entre alguns ministros e Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, envolvido em um esquema de fraude que gerou prejuízo bilionário ao Banco do Brasilia (BRB). A situação expõe o Tribunal a questionamentos sobre transparência e integridade.
Na visão do presidente do STF, as críticas podem e devem ser instrumentos de melhoria, mas há um alerta: morosidade, desigualdade e descrença corroem a confiança pública. Essa combinação, se não enfrentada com medidas objetivas, tende a ampliar o desgaste institucional e a dar munição a adversários políticos que buscam deslegitimar decisões judiciais.
O desafio para a Corte é, portanto, prático e político: responder às suspeitas com fatos e procedimentos claros que restabeleçam confiança, sem transformar a defesa institucional em fechamento hermético. A mensagem de Fachin — resistência sem fechamento — aponta para a necessidade de equilíbrio entre proteção da magistratura e adoção de medidas concretas de transparência e eficiência.