O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, revogou nesta quarta-feira (9/9) a designação do ministro Alexandre de Moraes como relator do inquérito das fake news, que vinha sendo conduzido desde 2019. Pela decisão administrativa, a relatoria passa a ficar sob responsabilidade direta de Fachin. O ato preserva, segundo a presidência, os atos praticados por Moraes durante o período em que esteve à frente do procedimento, sem prejuízo de eventual reanálise pelas vias processuais próprias.
A mudança ocorre no contexto de embates internos que envolveram Moraes e o ministro André Mendonça, intensificados pela investigação sobre o esquema do Banco Master. Moraes havia incluído Mendonça no inquérito, com acusações que atingem a conduta do colega, e, depois, Mendonça adotou medidas que ampliaram a tensão no tribunal — entre elas, despacho relativo ao afastamento do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues. Fachin, além de assumir a relatoria, suspendeu os atos de Mendonça e do ministro Flávio Dino que tratavam do afastamento e da reintegração do chefe da PF.
Com a suspensão dos despachos, Andrei Rodrigues permanece no cargo até que o plenário do STF se manifeste definitivamente, mas foi pautada a obrigação de prestar explicações em 48 horas. A controvérsia acumulada — que inclui citações a Alexandre de Moraes em interceptações obtidas pela Polícia Federal no celular de Daniel Vorcaro — levou Mendonça a levar ao plenário a própria situação de Moraes, ampliando o caráter público e institucional da disputa. Fachin, ao centralizar o inquérito, reduz momentaneamente a margem de manobra dos ministros envolvidos, mas abre espaço para que o colegiado decida os próximos passos.
A movimentação tem efeitos políticos e institucionais claros: desloca o conflito do gabinete de um relator para o terreno do presidente do STF e do plenário, onde decisões são tomadas por maioria. Para Moraes, a perda da relatoria representa desgaste de autoridade; para Mendonça e para alvos das investigações, pode significar uma janela de revisão de decisões tomadas em episódios recentes. O episódio reforça a percepção de crise entre ministros e sinaliza que o caso seguirá sendo um ponto de atenção no tribunal e no debate público, com consequências diretas sobre a condução das investigações e a estabilidade institucional do Supremo.