O ambiente no Supremo indica que a investigação envolvendo o jornalista maranhense Luís Pablo deve permanecer na Primeira Turma, sob relatoria do ministro Alexandre de Moraes. A avaliação ganhou força após o presidente da Corte, Edson Fachin, avaliar levar o caso ao plenário diante da repercussão em torno do sigilo da fonte e da liberdade de imprensa.
Nos bastidores, magistrados têm argumentado que a repercussão política do episódio não altera o rito processual já definido. A leitura predominante é de que deslocar a análise para os dez ministros do STF ampliaria desnecessariamente a dimensão política do caso e abriria precedente para politização de discussões que, segundo eles, cabem ao colegiado originário.
A investigação começou a partir de reportagens de Luís Pablo sobre uso de veículos oficiais do Tribunal de Justiça do Maranhão por familiares do ministro Flávio Dino. Em março, Moraes autorizou busca e apreensão contra o jornalista, com apreensão e posterior devolução de eletrônicos após extração de dados pela Polícia Federal. Os materiais apontaram Raimundo Cutrim, ex-secretário de Segurança do Maranhão, como possível fonte; Moraes autorizou nova operação contra Cutrim nesta semana.
O episódio põe o STF no meio de um dilema institucional: equilibrar a necessária apuração de eventuais crimes sem violar a proteção constitucional ao trabalho jornalístico. A tendência de manter o caso na Primeira Turma reduz, por ora, a intervenção política do plenário, mas expõe tensão interna sobre limites da investigação e o custo reputacional para a Corte caso a solução seja percebida como excessiva.