A manifestação de Flávio Bolsonaro sobre a confiabilidade das urnas eletrônicas reacendeu uma disputa interna no campo bolsonarista. Depois que o Tribunal Superior Eleitoral republicou um esclarecimento negando vínculo das urnas com a empresa Smartmatic, líderes do PL publicamente defenderam o senador. Ao mesmo tempo, relatos obtidos reservadamente por interlocutores do grupo apontam preocupação com o custo político do episódio.

O líder da oposição na Câmara, Cabo Gilberto Silva (PL-PB), sustentou que a declaração está protegida pela liberdade de expressão e aproveitou para criticar a atuação de instituições eleitorais e a condução do pleito de 2022. A defesa pública reforça a tese de contestação do campo, mas não dissipa a apreensão de aliados que avaliam o efeito sobre eleitores moderados e a mensagem enviada à opinião pública.

Fontes próximas à pré-campanha, em off, observam que a retomada de narrativas semelhantes às que atingiram Jair Bolsonaro no passado pode reproduzir desgaste jurídico e eleitoral. Há o entendimento interno de que insistir em acusações não comprovadas contribuiu para a condenação e a inelegibilidade do ex-presidente, e que a repetição dessa linha de discurso pode limitar a ampliação da base de apoio em 2026.

Do ponto de vista jurídico, o professor Roberto Beijato Júnior (PUC-SP) afirma que críticas às urnas enquadram-se na liberdade de expressão, mas ressalta uma zona de incerteza causada pela postura ativa da Justiça Eleitoral nos últimos anos. A combinação entre repercussão política adversa e interpretatividade institucional coloca a campanha diante da necessidade de calibrar discurso e estratégia para evitar que o episódio se transforme em perda de apoio e tema dominante na corrida presidencial.