O jurista Joaquim Falcão, membro da Academia Brasileira de Letras e ex-integrante do Conselho Nacional de Justiça, lançou um alerta sobre o estado das instituições: segundo sua análise, Judiciário, Legislativo e Executivo teriam construído um pacto tácito que transforma o aparelho estatal em instrumento de reprodução de privilégios e proteção mútua. Para Falcão, essa dinâmica fragiliza o princípio dos freios e contrapesos, alimenta impunidade e corrói a confiança dos cidadãos na governança democrática.
Na visão do autor, a omissão dos órgãos responsáveis por fiscalizar e julgar — seja no Congresso, seja no Supremo — cria uma normalidade perigosa. Casos recentes, como o episódio ligado ao Banco Master, são apresentados como sintomas de um problema estrutural: a mídia cumpre o papel de denúncia, mas as instituições não respondiam com a celeridade e a isenção esperadas. O resultado é insegurança jurídica, previsibilidade econômica reduzida e aumento da desconfiança social.
Falcão não se limita ao diagnóstico: aponta que propostas como um Código de Ética para ministros do Supremo têm sentido apenas se houver um mecanismo externo e efetivo de aplicação. Do contrário, a norma vira retórica. Ele também avalia que instrumentos como pedidos de impeachment acumulados sem julgamento e poderes excepcionais concentrados em figuras isoladas ampliam conflitos em vez de resolvê‑los, invertendo a função pacificadora que cabe ao Judiciário em um Estado de direito.
O quadro descrito tem consequências políticas claras: perda de legitimidade das instituições, desgaste da classe política e potencial elevação do custo institucional para qualquer governante que queira governar com previsibilidade. A saída sugerida pelo autor passa por reformas de governança, maior transparência, definição clara de competências e mecanismos efetivos de responsabilização. Sem isso, adverte, surgirão novos episódios que aprofundarão a crise e ampliarão a descrença pública.