Um levantamento do Correio Braziliense mostra que ao menos seis parentes do ex‑presidente Jair Bolsonaro devem disputar cargos eletivos nas eleições de 2026. Entre eles está o senador Flávio Bolsonaro (PL‑RJ), que oficializou sua candidatura à Presidência em 25 de julho. A lista inclui ainda Rogéria Bolsonaro (mãe de Flávio), que anunciou sua candidatura a deputada federal pelo Rio de Janeiro em 29 de julho; Renato Bolsonaro, homologado como candidato a deputado federal por São Paulo; e um conjunto de nomes que deve ser confirmado nas convenções do PL: Carlos Bolsonaro e Jair Renan — com registros previstos para 1º de agosto em Santa Catarina (Carlos ao Senado e Jair Renan à Câmara) — e a provável candidatura de Michelle Bolsonaro ao Senado pelo Distrito Federal, que pode ser oficializada na convenção do dia 2 de agosto. Há também o pré‑candidato Marcelo Bolsonaro, primo distante, ao cargo de deputado estadual por São Paulo.

O quadro expõe uma estratégia evidente de manutenção e multiplicação da presença do clã nas instâncias eleitorais: candidaturas espalhadas por diferentes estados podem funcionar como tentativa de ampliamento de bancadas e de capilarização do apoio. Ao mesmo tempo, a operação política carrega riscos claros: concentração de nomes da mesma família tende a reforçar críticas sobre personalismo e nepotismo e pode dispersar recursos e atenção da campanha central — especialmente numa disputa presidencial em que a capilaridade e a coordenação logística são decisivas.

A família Bolsonaro chega a 2026 com entraves judiciais que alteram o tabuleiro eleitoral. O próprio ex‑presidente segue em prisão domiciliar, segundo o material‑base, e o filho Eduardo Bolsonaro foi condenado em junho de 2026 pela Primeira Turma do STF a 4 anos e 2 meses de prisão por coação no curso de processo sobre a tentativa de golpe — condenação que, pela Lei da Ficha Limpa, torna Eduardo inelegível por pelo menos oito anos. Apesar disso, ele tem declarado que atuará como suplente na chapa de André de Prado (PL) ao Senado, o que adiciona complexidade jurídica e política ao projeto do partido.

Para o PL, a aposta em nomes da família representa um duplo cálculo: por um lado, pode manter a mobilização de um eleitorado fiel; por outro, amplia a exposição a ataques adversários e ao desgaste institucional. Analistas e adversários tendem a transformar a proliferação de candidaturas familiares em tema de campanha — ressaltando contradições entre a narrativa de renovação e a prática de centralização de poder. Há, portanto, custo político potencial que exigirá do partido coordenação e resposta estratégica.

O panorama desenhado pelo levantamento é um retrato do momento, não uma previsão de resultados. As convenções partidárias, que se encerram em 5 de agosto, devem oficializar parte das candidaturas e oferecer pistas sobre a capacidade do PL de transformar nomes familiares em estrutura eleitoral competitiva. Até lá, o movimento do clã Bolsonaro já altera o mapa político e obriga partidos, mercado e eleitores a recalcular riscos e cenários.