As duas vagas do Distrito Federal no Senado ganhas pelo PL neste domingo terão, como primeiros suplentes, parentes diretos das titulares. Michelle Bolsonaro registrou o irmão Diego Torres Dourado, e Bia Kicis fez do filho Samuel Kicis de Sordi o primeiro nome da lista de reserva. Com a configuração, ambos têm prioridade formal para assumir as cadeiras em caso de afastamento ou vacância das senadoras a partir de 2027.

No sistema eleitoral para o Senado, cada chapa traz o candidato titular e dois suplentes eleitos conjuntamente; o primeiro suplente substitui o titular nas hipóteses previstas em lei, e o segundo só assume se o primeiro não puder. Nenhum dos dois familiares chegou ao cargo por eleição anterior: são indicações que consolidam redes pessoais dentro da representação do Distrito Federal no Congresso.

Samuel Kicis de Sordi, engenheiro, já teve participação em um projeto partidário ligado à mãe. Em 2019, durante o período em que Bia Kicis presidiu o PSL no DF, Samuel foi nomeado tesoureiro-geral do diretório; à época, vivia em Lima, no Peru, exercendo atividade de consultoria contábil. A deputada declarou ao TSE patrimônio de R$ 1.330.688,17 no registro da candidatura ao Senado.

Diego Torres Dourado tem trajetória em cargos públicos e na área militar: ex-militar da Aeronáutica, acumulou passagens por postos no Ministério da Defesa, no Senado e no governo de São Paulo. Em janeiro de 2023, foi nomeado assessor especial do governador Tarcísio de Freitas, com remuneração aproximada de R$ 22,6 mil; deixou a administração paulista em novembro de 2025 e, em fevereiro deste ano, assumiu cargo na Prefeitura de São Caetano do Sul como diretor do Departamento de Parcerias e Transferências Intergovernamentais, com salário-base de R$ 26.799,11. Meses depois veio o registro como primeiro suplente de Michelle.

A decisão das parlamentares de priorizar familiares diretos nas chapas expõe contradições e acende alerta sobre a presença de redes familiares no espaço público. Ainda que legais, as indicações podem levantar questionamentos sobre meritocracia, concentração de capital político e a imagem do PL perante eleitores preocupados com ética e transparência. Politicamente, a cena também complica a narrativa de renovação e autonomia partidária, e pode forçar a oposição e a imprensa a escrutinar futuras nomeações e eventuais substituições nos próximos anos.