O primeiro debate televisionado entre os candidatos ao governo de Minas, promovido pela Band, teve tom ríspido. A troca de farpas entre Gabriel Azevedo (MDB) e Alexandre Kalil (PDT) marcou os blocos finais a ponto de os microfones dos dois serem cortados antes das considerações finais. Kalil também foi alvo de outros adversários e concentrizou as respostas em críticas à gestão estadual e à forma como tem sido tratada a dívida do Estado.

A situação fiscal foi o eixo principal da noite. Kalil atacou o Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados (Propag), argumentando que as condições do acordo inviabilizam a condução administrativa e defendendo negociá‑la diretamente em Brasília para recuperar espaço de manobra. O governador e candidato à reeleição, Mateus Simões (PSD), rebateu lembrando que Minas já pagou R$ 13 bilhões desde o início do atual ciclo de governo e reivindicou que os repasses federais retornem em investimentos nas rodovias e infraestrutura.

Segurança pública, educação e conservação de estradas também geraram confrontos, com ênfase em prioridades para os primeiros 100 dias de governo. Enquanto isso, Cleitinho Azevedo (Republicanos), líder nas pesquisas, adotou postura mais contida no debate: evitou ataques diretos aos concorrentes e anunciou que fará campanha para Flávio Bolsonaro na disputa presidencial, mesmo com o PL tendo candidato próprio ao governo do estado. A declaração reforça tensões e evidencia a dificuldade de articulação do palanque conservador em Minas.

Além do duelo retórico, o encontro expôs divisões programáticas e estratégicas que podem repercutir na campanha: o embate sobre a dívida acende alerta sobre capacidade de gestão fiscal; a postura cautelosa do favorito sinaliza opção por minimizar riscos eleitorais; e a fissura entre Republicanos e PL complica a construção de um bloco unificado. O debate serviu, sobretudo, para mapear fragilidades e linhas de ataque que deverão dominar os próximos capítulos da disputa.