A Federação Brasil da Esperança — formação que reúne PT, PV e PCdoB — protocolou, nesta quarta-feira (22), uma representação no Tribunal Superior Eleitoral contra o senador e pré-candidato Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e os deputados Eduardo Bolsonaro (PL), Gustavo Gayer (PL-GO) e Júlia Zanatta (PL-SC). Segundo a ação, os quatro integraram um "movimento articulado de desinformação" que mirou a integridade do sistema eletrônico de votação e a credibilidade da Justiça Eleitoral.

A petição descreve uma sequência: publicações iniciais de Zanatta, repercutidas por Eduardo Bolsonaro e Gayer, e o episódio em que Flávio teria propagado, em reunião com embaixadores na terça-feira (21), a narrativa de que as urnas brasileiras teriam relação tecnológica com a empresa venezuelana Smartmatic. Os autores afirmam que a base usada para esse discurso foi um relatório desclassificado da CIA sobre a Venezuela, documento que, segundo a representação, não faz qualquer referência ao sistema eleitoral brasileiro e foi descontextualizado pelos acusados.

Os autores recordam que o TSE já havia afastado, de forma repetida, qualquer vínculo entre a Smartmatic e as urnas brasileiras — com notas públicas originalmente de 2017, atualizações em 2020, 2022 e nova atualização em 8 de julho de 2026, dias antes da fala impugnada. A representação invoca dispositivo da resolução do TSE que veda o uso, em propaganda eleitoral, de conteúdo fabricado ou descontextualizado com potencial de causar dano ao equilíbrio do pleito ou à integridade do processo eleitoral.

Além do aspecto jurídico, o caso acende um dilema político: a denúncia aumenta a pressão sobre o PL e sobre a própria pré-campanha da família Bolsonaro em um momento em que narrativas que questionam a lisura do sistema eleitoral voltam a circular. Para a Federação, a repetição dessa estratégia — associada, inclusive, a referência à inelegibilidade do ex-presidente — sinaliza intenção de corroer a confiança nas instituições, com efeitos práticos sobre a normalidade do processo eleitoral.

Cabe agora ao TSE avaliar a representação e decidir medidas imediatas que possam conter a propagação de alegações comprovadamente infundadas, sem, contudo, transformar a resposta institucional em palco político. O desfecho será um termômetro: indicará até que ponto a Corte consegue frear a desinformação antes que ela desgaste ainda mais a confiança no processo eleitoral, e quais serão os custos políticos para os envolvidos.