A pré-campanha do senador Flávio Bolsonaro decidiu ampliar o protagonismo da esposa, Fernanda Bolsonaro, numa estratégia explícita para reforçar o diálogo com o eleitorado feminino. A movimentação ganhou impulso depois do afastamento de Michelle Bolsonaro, até então vista como principal ponte do grupo com mulheres e eleitores de perfil religioso. No núcleo do PL, a leitura é que a presença de Fernanda ajudará a domesticar a imagem do senador e a projetar um perfil mais voltado à família.
Integrantes da pré-campanha traçam um papel concreto para Fernanda: participação crescente em agendas públicas, maior aparição nos conteúdos digitais e contribuição na elaboração de propostas ligadas à saúde da mulher, ao atendimento na rede pública e a políticas familiares. A aposta é dupla: ampliar identificação com eleitores moderados e oferecer um rosto feminino que legitime o discurso conservador sem depender exclusivamente da figura de Michelle.
A escolha, contudo, não é pacífica. Nos bastidores, lideranças da direita e do próprio PL dividem-se entre o que consideram uma evolução natural e quem enxerga riscos eleitorais. Há o argumento de que Michelle mantém forte apelo entre mulheres religiosas e que qualquer tentativa de substituição pode alimentar comparações desfavoráveis. Aliados também ressaltam que Fernanda ainda precisa construir protagonismo político próprio antes de assumir exposição nacional mais intensa.
Além da promoção de Fernanda, a pré-campanha trabalha outras frentes para seduzir o público feminino: o programa Brasil por Elas e a busca por uma vice que complemente a narrativa. Nomes como Julia Zanatta, Bia Kicis e Daniella Marques aparecem nas conversas internas. A articulação expõe um dilema prático da campanha: conciliar uma estratégia de moderação com o risco de fragmentar apoios tradicionais do núcleo conservador, ao mesmo tempo em que tenta transformar uma mudança de rostos em vantagem política mensurável.