A decisão do Tribunal Superior Eleitoral de anular os votos de Anthony Garotinho no primeiro turno revirou o quadro eleitoral fluminense e abriu caminho para que Douglas Ruas (PL) seja declarado governador em primeiro turno. Com o recálculo, Ruas ultrapassa a marca de 50% dos votos válidos, eliminando a necessidade de segundo turno e tornando oficial — nos próximos dias — a presença da vereadora de Niterói Fernanda Louback como sua vice.
A trajetória de Louback reúne elementos que explicam por que sua ascensão tem impacto político e simbólico. Eleita vereadora em 2024, ela foi pioneira na organização do PL Mulher no município e chegou à vida pública depois de uma carreira como empresária no setor de joias — negócio que diz ter sido prejudicado por intervenções viárias locais em 2015, episódio que a motivou a buscar representação. Antes disso, participou de concursos de beleza, tendo conquistado o título de miss Rio de Janeiro representando Nova Friburgo em 2003.
No plano programático e de imagem, Louback se identifica com pautas conservadoras e com a fé católica, e tem priorizado defesa da família, atenção a pessoas com autismo e endurecimento da segurança pública. No mandato municipal, protagonizou propostas polêmicas, como internação compulsória para dependentes em situação de rua e proibição de banheiros neutros em espaços públicos. Sua atuação também gerou atritos no plenário de Niterói: votou contra a concessão de título a uma cantora popular e protagonizou comentários à aparência de outra vereadora, episódio que provocou forte reação entre os pares.
A chegada de Louback à vice-governadoria tem efeitos práticos e políticos para o futuro governo: reforça a presença do PL e de pautas conservadoras na coordenação estadual, pressiona por inclusão de suas prioridades na agenda de Ruas e complica a necessidade de acomodação com outras forças políticas que esperavam um resultado diferente. Para a oposição — e especialmente para o ex-prefeito Eduardo Paes (PSD) — a reversão judicial representa um custo imediato e redesenha alianças num estado onde o cenário eleitoral mudou em poucos dias. A decisão do TSE, além de transformar cargos e nomes, é um sinal de que litígios judiciais podem produzir efeitos diretos e rápidos na configuração do poder local.