O deputado federal André Fernandes (PL-CE) negou nesta quinta-feira a existência de um racha entre a deputada estadual Priscila Costa e o PL no Ceará. Em entrevista, afirmou que a legenda mantém unidade em torno do projeto eleitoral para 2026 e rejeitou a narrativa de divergência interna sobre eventual apoio à pré-candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro.

Fernandes responsabilizou parte da imprensa pela difusão da suposição de afastamento e ressaltou que Priscila "sempre foi do PL" e continua em posição de destaque na sigla, com perspectivas de disputar vaga na Câmara. Para ele, o entendimento entre as forças de oposição no estado é estritamente regional: não houve acordo para que nomes como Roberto Cláudio ou Capitão Wagner declarassem voto em Flávio.

O deputado reforçou que o propósito unificador do grupo é derrotar o PT no Ceará, justificando a aliança pela necessidade de mudança na administração estadual. Na mesma fala, atribuiu ao partido governista responsabilidade pela expansão de facções criminosas no estado — argumento usado para justificar a prioridade eleitoral em nível local — e disse que diferenças nacionais poderão reaparecer depois, em ambiente democrático.

A declaração busca, na prática, duas coisas: conter repercussão negativa das rusgas que envolveram a família Bolsonaro e blindar a coalizão cearense. Ao mesmo tempo, evidencia a fragilidade da costura entre interesses regionais e ambições nacionais. Se aliados estaduais deixam claro que o pacto não se traduz em compromisso presidencial, isso complica tentativas de transformar apoios locais em força consolidada para nomes que buscam projeção nacional. A negação pública pode reduzir ruído imediato, mas não elimina o risco de desgaste político caso disputas nacionais tentem converter apoios locais em lealdade automática.