O influenciador argentino Fernando Cerimedo foi preso nesta terça-feira (18/8) no Aeroporto Internacional Viru Viru, em Santa Cruz de la Sierra. A detenção, feita por agentes da Força Especial de Combate ao Crime (Felcc), ocorreu quando Cerimedo tentava embarcar para a Argentina. Ele é suspeito de envolvimento no ataque a tiros que deixou sua ex-mulher, Nadia Beller, ferida e hospitalizada após ser atingida por três disparos em um hotel.
Imagens e relatos das investigações indicam que dois autores entraram no local disfarçados de entregadores, abandonaram a motocicleta usada na fuga e deixaram o local. A defesa de Cerimedo, segundo apuração, não foi localizada até o momento. Os fatos agora devem ser aprofundados pelas autoridades bolivianas e podem levar a pedidos de extradição, dependendo do curso das apurações.
Cerimedo ganhou notoriedade em 2022 por transmissões em que propagou informações falsas sobre o sistema eletrônico de votação brasileiro. Em 4 de novembro de 2022, ele apresentou um documento falsificado que alegava irregularidades nas urnas e alimentou narrativas de que a eleição teria sido fraudada. Foi indiciado por integrar o chamado "Núcleo de Desinformação e Ataques ao Sistema Eleitoral" no inquérito sobre o golpe, mas o procurador-geral da República, Paulo Gonet, optou por não denunciá‑lo, alegando insuficiência de provas sobre seu conhecimento da falsidade e de um plano golpista.
Além do envolvimento nas campanhas contra as urnas, Cerimedo atuou como estrategista digital na campanha de Javier Milei em 2023 e manteve aproximação com figuras do bolsonarismo: ele se encontrou com Eduardo Bolsonaro em Buenos Aires semanas antes do segundo turno de 2022. A prisão, além da dimensão criminal, reacende questões políticas sobre as conexões transnacionais entre atores que difundem desinformação e o impacto dessas redes nas democracias da região.
Do ponto de vista político, a detenção tende a aumentar o escrutínio sobre aliados que adotaram e amplificaram teorias sobre fraude eleitoral. A situação também expõe limites das investigações internas que trataram do tema no Brasil e deve alimentar pedidos de esclarecimento por parte de parlamentares e órgãos de controle. O caso segue em desenvolvimento, com possíveis desdobramentos internacionais.