Jurandy Pacífico, único filho vivo da liderança quilombola Mãe Bernadete, anunciou a desistência da candidatura a deputado federal na Bahia alegando motivos de segurança e orientação da família. A decisão, comunicada antes da análise formal do pedido pela Justiça Eleitoral, foi registrada em carta enviada ao tribunal e publicada nas redes sociais do candidato. Jurandy havia declarado intenção de levar a voz das comunidades tradicionais ao Congresso, mas optou por recuar diante do receio de exposição a novos riscos.
A renúncia ocorre na esteira dos assassinatos que atingiram a família, incluindo o irmão Binho do Quilombo, e reforça um clima de intimidação que limita a participação política de defensores dos direitos quilombolas. Jurandy afirma que a desistência eleitoral não significa abandono da causa: manteve o compromisso público de continuar atuando em prol das comunidades, ainda que fora da disputa de vagas no Parlamento.
Do lado institucional, o secretário estadual de Justiça e Direitos Humanos disse receber a notícia com tristeza e afirmou que a Polícia Militar da Bahia mantém medidas de proteção desde os episódios violentos na família. A declaração oficial sinaliza disponibilidade para acompanhamento, mas a saída de um candidato diretamente ligado ao movimento quilombola revela a insuficiência — ou a fragilidade percebida — das garantias de segurança para lideranças em situação de risco.
Politicamente, a desistência tem efeitos claros: reduz a representação direta das comunidades tradicionais no debate legislativo e acende alerta sobre o custo democrático da violência. A situação exige resposta concreta das autoridades — proteção efetiva, investigação rigorosa dos crimes e políticas que assegurem participação política sem exposição a ameaças. Sem essas medidas, a pressão sobre o governo estadual e a administração pública tende a crescer, enquanto movimentos sociais veem comprometida a capacidade de colocar demandas históricas na agenda federal.