Conversas atribuídas ao advogado Rodrigo Fux, filho do ministro do Supremo Tribunal Federal Luiz Fux, mostram uma relação de proximidade com o ex-controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro. Os primeiros diálogos são de maio de 2024 e registram troca de mensagens em que ambos combinam encontros em Brasília e São Paulo.
Em uma das conversas de maio, Rodrigo propõe: “Quando estiver em Sp te dou um toque pra almoçarmos ou fumarmos um charuto”. As trocas voltam em novembro, quando Vorcaro pergunta se Rodrigo estaria em Brasília e, diante da dificuldade de agenda, sugere uma vídeochamada para tratar de um assunto específico: “Quero te chamar pra me ajudar num caso”. A dupla ainda marcou uma chamada por Zoom e tentou conciliar horários.
O material apresentado à reportagem não esclarece qual seria o 'caso' mencionado por Vorcaro, nem demonstra, por si só, que houve contratação ou prestação de serviços do advogado em favor do empresário ou do Banco Master. A reportagem procurou Rodrigo Fux para esclarecimentos sobre a natureza da relação e sobre possível prestação de serviços; até a publicação não houve resposta. Espaço permanece aberto.
Apesar das lacunas factuais, as mensagens expõem uma proximidade que levanta dúvidas e pode acender alerta sobre a percepção pública de imparcialidade do Judiciário. O contato direto entre o filho de um ministro do STF e um ex-banqueiro que enfrentou problemas financeiros gera questionamentos plausíveis sobre risco reputacional e conflito de interesses, mesmo na ausência de prova de conduta irregular.
Do ponto de vista institucional, o episódio tende a aumentar a pressão por esclarecimentos e por transparência. Cabem respostas objetivas para que a discussão não se restrinja à suspeita: esclarecer quem participou, qual era o teor do pedido e se houve atuação profissional é condição mínima para conter efeitos políticos e preservar a confiança na corte.