O deputado federal Kim Kataguiri (Missão) realizou uma transmissão ao vivo para esclarecer o registro no sistema do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que apontou a filiação do senador Flávio Bolsonaro ao partido Missão. Kim explicou que a assinatura que aparece no cadastro é a do secretário‑geral da legenda e que o mecanismo interno do partido, segundo ele, registra automaticamente as filiações junto ao TSE — um procedimento que, afirmou, ocorre em outros partidos também.
A versão do Missão foi alinhada com a posição oficial do TSE: não houve, segundo o tribunal, um ataque externo ao sistema, mas sim o uso indevido da ferramenta por “alguém que tinha as credenciais da legenda para efetivar filiações”. Em decisão proferida nesta quinta (13/8), o presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, determinou que o vínculo de Flávio Bolsonaro com o PL volte a valer desde 30 de novembro de 2021, encerrando a controvérsia sobre mudança de sigla no registro eleitoral.
Victor Couto, secretário‑geral do Missão, disse na live que a legenda identificou a filiação e tentou desfazer o cadastro, mas que a operação foi negada pelo sistema do TSE. Segundo ele, erros ao tentar desfiliar aparecem periodicamente; o partido informou ter avisado o tribunal sobre uma falha há cerca de um mês e ter observado episódio semelhante em março. O relato confirma falhas de procedimento ou de autorização que, na prática, permitem movimentações no banco de dados partidário sem controle claro.
A disputa escalou publicamente: o pré‑candidato do Missão, Renan Santos, reagiu à acusação de Flávio e propôs acareação pública, afirmando que a filiação foi realizada a partir do e‑mail oficial do senador. O episódio acende alerta sobre a fragilidade dos controles internos das legendas e complica narrativas políticas em plena pré‑campanha. Ainda que o TSE tenha restaurado o vínculo com o PL, a sequência de explicações e a troca de acusações expõem a necessidade de transparência e de revisão dos mecanismos de credenciamento e auditoria dentro dos partidos.