O deputado federal Filipe Barros (PL-PR) passou a enfrentar forte pressão política depois que se revelou que o projeto que apresentou em 2024 espelhava o teor da chamada 'Emenda Master', hoje no centro das investigações da Polícia Federal. A emenda, que propunha elevar o limite de cobertura do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) de R$ 250 mil para R$ 1 milhão, ganhou notoriedade quando a PF apresentou indícios de que o texto foi elaborado nas dependências do Banco Master.

Barros retirou o projeto de tramitação em fevereiro, diante do crescimento do escândalo, e tem defendido que a iniciativa visava proteger pequenos e médios investidores. Em nota, afirmou ter acionado a Polícia Federal sobre operações da Reag Investimentos — apontada nas apurações como vinculada ao Master — e diz ter sido um dos primeiros a assinar pedidos de investigação sobre o caso. Ainda assim, a semelhança entre os textos motivou questionamentos sobre quem redigiu a proposta e por que ela repetia pontos centrais da emenda atribuída ao senador Ciro Nogueira.

A reportagem procurou a assessoria do deputado com perguntas diretas sobre a origem do texto e as coincidências com a proposta associada ao Banco Master, mas não obteve respostas. Para um pré-candidato ao Senado — que integra a bancada bolsonarista e se articula ao lado de nomes como Sergio Moro e recebeu apoio público de Flávio Bolsonaro — a falta de esclarecimentos cria um custo político concreto: exposição a ataques da oposição, desgaste em campos de centro-direita e risco de desgaste eleitoral junto a eleitores que cobram transparência.

Além do impacto eleitoral, o episódio abre um debate institucional: projetos que mexem em garantias do sistema financeiro exigem clareza sobre vieses e origens. A ligação entre textos legislativos e interesses privados, agora investigada pela PF no caso Master, reforça a necessidade de documentação e justificativas públicas por parte de parlamentares que propõem mudanças sensíveis ao mercado financeiro.