A reportagem do Financial Times publicada nesta segunda (25) transformou o filme Dark Horse, inspirado na trajetória de Jair Bolsonaro, em um problema político concreto para Flávio Bolsonaro. Segundo o periódico, o que era uma produção cinematográfica com apelo para a base conservadora virou “comédia de erros” após surgirem evidências de que o senador buscou recursos junto ao banqueiro Daniel Vorcaro — dono do Banco Master, preso e alvo de investigações por uma fraude bilionária. O episódio transfere para Flávio o centro de uma controvérsia com potencial de repercussão nacional e internacional.

As informações trazidas pelo Intercept Brasil e citadas pelo Financial Times mostram que R$ 61 milhões de um acordo estimado em cerca de R$ 134 milhões teriam sido enviados entre fevereiro e maio de 2025. Para efeito de comparação, esse valor supera com folga orçamentos recentes de peso do cinema nacional, como O Agente Secreto, e levanta a questão sobre a origem e a justificativa de aportes tão elevados em uma produção dirigida por um cineasta americano. A associação com um empresário sob investigação cria um problema de reputação que dificulta a narrativa de renovação política que Flávio tenta construir.

Além do financiamento, a produção acumula outras controvérsias — denúncias de condições de trabalho no set e o uso não autorizado de material musical — o que amplia o desgaste. Do ponto de vista estratégico, o caso joga Flávio no papel de candidato que precisa se defender não apenas de críticas ideológicas, mas de acusações práticas relacionadas à operação financeira do projeto. O Financial Times sugere que esses elementos complicam a viabilidade eleitoral do senador, que vinha sendo apontado como herdeiro político de Jair Bolsonaro após a condenação do ex-presidente a 27 anos e três meses de prisão por tentativa de golpe.

A tentativa de transformar o filme em trincheira cultural, com figuras estrangeiras conectadas ao movimento conservador — como o ator Jim Caviezel e o estrategista Steve Bannon, que sinalizou apoio à divulgação nos EUA — pode ampliar a visibilidade, mas também expõe Flávio a escrutínio internacional. Politicamente, o efeito imediato é a ampliação do desgaste e a necessidade de reação: aliados terão de decidir se blindam o senador ou o afastam para limitar contaminação eleitoral. Em curto prazo, o episódio acende alerta para a campanha de 2026, amplia desgaste junto a eleitores moderados e complica a narrativa oficial sobre limpeza ética e independência financeira do núcleo bolsonarista.