O Correio Braziliense promove hoje, a partir das 9h, o seminário 'Escala 6 x 1: em busca de equilíbrio na jornada de trabalho', que traz ao debate atores do Judiciário, do Congresso e do setor produtivo. O evento reúne, entre outros, o ministro Gilmar Mendes, os deputados Domingos Sávio e Reginaldo Lopes e representantes do Ministério das Mulheres, em um esforço para ajustar narrativa e sinalizar consequências práticas da mudança legislativa que visa extinguir a rotina 6 x 1.
No painel empresarial, Isabela Raposeiras, fundadora do Coffeelab, apresentou a experiência de sua rede ao adotar a escala 4 x 3 em 2025. Segundo ela, a alteração trouxe aumento de faturamento na casa de 35%, menor índice de erros operacionais e ampliação das margens. Raposeiras atribui os ganhos a maior engajamento e menor desgaste da equipe diante de um atendimento exigente, e rebate a ideia de que jornadas mais humanas necessariamente inflariam custos, argumentando que faltas e rescisões podem sair mais caras para o empregador no modelo 6 x 1.
No plano institucional, o tema chega ao plenário num momento de acordo entre governo e Congresso: o relatório do deputado Léo Prates (Republicanos-BA) para duas PECs que acabam com a 6 x 1 estabelece teto de 40 horas semanais e prevê uma transição de 14 meses. O texto já foi lido em comissão especial e a expectativa é de votação ainda nesta semana, o que amplia a pressão sobre o Executivo para operacionalizar regras e sobre empresas para ajustar escalas e folha num prazo curto.
A combinação entre exemplo prático e avanço legislativo cria um dilema político e econômico. Para o governo, aprovar a proposta rende capital simbólico pró-trabalhador, mas acende alerta sobre impactos reais no tecido empresarial: custos de adaptação, necessidade de regulamentação clara e risco de judicialização. Do lado patronal, casos como o do Coffeelab servem de argumento para defesa de alternativas menos rígidas, mas não garantem que a solução seja replicável em setores com margens mais apertadas. O seminário pretende, justamente, transformar relatos concretos em subsídios técnicos antes da votação.