O governo federal intensificou nos últimos dias a tentativa de destravar, antes do recesso parlamentar de 18 de julho, a tramitação da proposta que extingue a escala de trabalho 6x1. A líder do governo no Senado, Teresa Leitão (PT-PE), tem buscado apoio para convencer o presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União-AP), a despachar o texto para a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), passo necessário para a análise da matéria.

Nos bastidores, porém, integrantes da base admitem que as chances de avanço ainda neste semestre são reduzidas. O ambiente se tornou mais hostil com o confronto recente entre Alcolumbre e o líder do PT na Câmara, Pedro Uczai (SC), e parlamentares que conversaram com o presidente do Senado dizem não ter percebido qualquer sinal de que ele pretende acelerar o processo. A manutenção das sessões em formato semipresencial e a ausência do presidente da CCJ, Otto Alencar (PSD-BA), também são apontadas como obstáculos práticos.

O Palácio do Planalto voltou a defender publicamente a proposta — o presidente afirmou que a mudança seria benéfica para milhões de trabalhadores —, mas a articulação formal enfrenta hoje limitações políticas e de calendário. Para a base, a incapacidade de encaminhar a PEC antes do recesso ampliaria o custo político de uma promessa governista anunciada como prioritária, ao criar expectativa sem entrega imediata.

Com a tramitação paralisada até o despacho do presidente do Senado, o governo terá de recalibrar sua estratégia ao retorno do Congresso, em meio a uma janela legislativa apertada e a pressão por resultados concretos. O impasse expõe a dificuldade de transformar apelo público em voto no plenário e deixa em evidência uma fricção crescente entre a articulação governista e o comando da Casa.