Eleito deputado federal pelo Rio de Janeiro com 191.371 votos, Rick Azevedo (PSol) anuncia que a primeira prioridade de seu mandato será a proposta que elimina a escala 6x1. Ex‑balconista de farmácia por 12 anos, ele coloca a experiência pessoal como fundamento político: segundo Azevedo, a rotina de trabalhar fins de semana e feriados expõe uma perda de convívio familiar, saúde e tempo livre que só se resolve com mudança nas regras de jornada.

Além do fim da 6x1, o parlamentar eleito diz que vai concentrar esforços em pautas de trabalho — valorização salarial, fortalecimento da CLT, combate à pejotização e ao trabalho análogo à escravidão, saúde mental no ambiente laboral, e acesso ao transporte e à educação. A redução da jornada é apresentada não como uma mera alteração técnica de dias, mas como um eixo para redefinir relações de trabalho e proteção social.

A tramitação da proposta, porém, promete enfrentar forte disputa política. O texto original ressalta a resistência de setores empresariais e a divergência entre parlamentares sobre redução de jornada. Para Azevedo, a diferença agora é a pressão da sociedade: o movimento Vida Além do Trabalho (VAT), que ele ajudou a criar, ampliou o debate nas redes e nas ruas, e será peça central para forçar deputados e senadores a tomar posição durante a votação — cenário que tende a colocar em xeque parlamentares que optarem por votar contra a demanda popular.

Do ponto de vista político, a iniciativa tem efeitos claros: testa a capacidade de articulação da esquerda parlamentar e coloca o Legislativo diante de uma demanda social crescente; força o governo e as bancadas a equilibrar custos políticos e econômicos de um eventual apoio; e sinaliza para 2026 como tema sensível na agenda trabalhista. Azevedo já declarou apoio à reeleição de Lula no segundo turno, o que pode ampliar o campo de interlocução da proposta, mas também cria desafio para o Executivo caso o custo político de apoiar a medida se sobreponha a cálculos econômicos. Em suma, a promessa de acabar com a 6x1 não é só uma bandeira programática: é um teste de pressão social sobre o Congresso e da disposição dos poderes em responder às demandas do trabalho.