O senador Jaques Wagner (PT-BA) afirmou acreditar que a proposta de emenda à Constituição que acaba com a escala 6x1 pode ser levada a voto pelos senadores já na próxima semana, antes do recesso parlamentar, previsto para começar em 19 de julho. Em postagem nas redes sociais, Wagner ressaltou a pressão social pelo tema e disse que a Casa tem condição de aprovar a matéria.
A PEC chegou ao Senado no final de maio, um dia depois de ser aprovada em dois turnos pela Câmara dos Deputados com mais de 460 votos favoráveis. Desde então, porém, a tramitação está estacionada há mais de 40 dias. Pelo regimento, o texto deveria ter sido encaminhado à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), o que ainda não ocorreu, e isso mantém a proposta retida na pauta do Senado.
Nos bastidores, a paralisação é atribuída, em parte, ao clima político entre o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. As relações se deterioraram após a rejeição da indicação do Advogado-Geral da União, Jorge Messias, ao Supremo Tribunal Federal — a primeira negativa desse tipo em 132 anos, apontada como uma derrota expressiva do governo no Congresso. Lideranças petistas, como Teresa Leitão, têm tentado amenizar tensões, enquanto o novo líder da bancada, Camilo Santana, aposta em um diálogo direto entre Lula e Alcolumbre.
A decisão sobre levar a PEC a voto nas próximas sessões tem implicações políticas imediatas: votar a tempo do recesso seria um reforço à narrativa de produtividade legislativa e aliviaria pressão sobre o governo; postergar a votação ampliaria o desgaste político e reforçaria a percepção de dificuldade do Executivo em costurar acordos no Senado. Resta ver se o afunilamento do prazo até 19 de julho impulsionará movimento suficiente para destravar a tramitação.