A tentativa de pautar ainda nesta semana o projeto que regulamenta o fim da escala 6x1 revelou um novo conflito entre governo e oposição na Câmara. O presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB), sinalizou a vontade de avançar com a matéria, que tramita em regime de urgência e, por isso, impede a apreciação de outras proposições no plenário. A definição depende da reunião de líderes marcada para terça-feira (16/6) às 14h.

Na visão da oposição, a iniciativa do governo busca forçar o Legislativo a aprovar um projeto enquanto a proposta constitucional que trata da redução da jornada ainda segue para análise no Senado. O líder do bloco opositor, deputado Cabo Gilberto Silva (PL-PB), criticou a movimentação e classificou a estratégia como uma forma de pressão sobre o Congresso, esperando que o encontro de líderes traga um posicionamento conjunto da bancada contrária.

Do lado governista e de parte da base, a leitura é oposta: votar o projeto na Câmara pode acelerar a aplicação das mudanças aprovadas internamente e, ao mesmo tempo, liberar a pauta para outros temas. O líder do PT na Casa, deputado Pedro Uczai (SC), afirmou que a apreciação do texto serviria para destravar o plenário, alinhando regulamentação e o que já foi aprovado emenda constitucionalmente pela Câmara.

O relator, deputado Leo Prates (Republicanos-BA), deve apresentar seu parecer durante a reunião de líderes, que decidirá se a proposta segue para votação ainda nesta semana. A movimentação deixa claro um custo político para o governo: avançar com a pauta local pode desbloquear trabalhos na Câmara, mas também alimenta a narrativa de pressão sobre o processo legislativo e complica o diálogo com o Senado.