O debate sobre o fim da escala 6x1 ganhou tom de advertência do setor produtivo. Em painel promovido pelo Correio Braziliense, Frederico Toledo Melo, gerente-executivo de Relações Trabalhistas da CNT, afirmou que a redução da jornada, ainda que mantido o salário nominal, pode produzir um efeito adverso: a pressão sobre o poder de compra, diante da inflação, levaria parte dos trabalhadores a buscar atividade informal para recompor renda.
A explicação de Melo segue lógica econômica simples: corte de horas sem compensação real, somado a preços em alta, reduz o rendimento efetivo do trabalhador. Quando o salário não acompanha a perda de tempo disponível ou o aumento do custo de vida, o trabalhador tende a procurar alternativas fora do mercado formal — exatamente o caminho que autoridades dizem querer evitar ao promover proteção social e emprego decente.
O setor de transporte foi citado como exemplo sensível. A taxa de informalidade no país beira 40%, enquanto no segmento de transportes está em torno de 8%. Para a CNT, um aumento súbito de custos trabalhistas sem mecanismos de transição pode reduzir oferta de ônibus — urbano, intermunicipal e interestadual — com impacto direto no usuário: menor oferta, viagens mais lentas e custos logísticos maiores para cargas e passageiros, num mercado em que a maior parte da população depende do transporte terrestre.
O aviso traz consequências políticas claras para o Congresso e para o Executivo: a proposta precisa considerar escalonamento, compensações e medidas que preservem oferta de serviços e emprego formal. Sem isso, a reforma da escala 6x1 corre o risco de transferir o ônus para trabalhadores e consumidores, gerando pressão política sobre quem encaminha a mudança. O debate completo está disponível no canal do Correio no YouTube.