O senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) apresentou nesta quinta-feira (11/6) ao Supremo Tribunal Federal uma notícia-crime contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Na peça, o parlamentar pede a abertura de inquérito por suposta incitação ao crime e por ameaça, em razão de declarações proferidas por Lula em evento em Goiás.
Segundo o documento, o teor do discurso ultrapassaria a crítica política e configuraria estímulo à prática de homicídio por enforcamento contra o senador. A fala de Lula ocorreu na inauguração do Campus Catalão do Instituto Federal Goiano, quando o presidente classificou adversários como “traidores da pátria” e, ao citar a parábola histórica, referiu-se ao enforcamento como destino de traidores.
Na peça enviada ao STF, Flávio também aponta erro histórico na referência presidencial: afirma que Lula teria invertido os papéis da narrativa sobre Joaquim Silvério dos Reis e Tiradentes, já que, na leitura do senador, o enforcado foi Tiradentes, não Silvério. A declaração presidencial fez referência, ainda, ao episódio ocorrido logo após reunião de Flávio e Eduardo Bolsonaro com o senador Marco Rubio, citada por Lula como sinal de intervenção estrangeira.
A iniciativa leva a disputa para o Judiciário e acende um alerta sobre os limites do discurso político em ano eleitoral. Além do potencial efeito jurídico, a denúncia tem peso simbólico: amplia o confronto entre governo e adversários, complica a narrativa governista e pode aumentar a temperatura política na corrida eleitoral, sem, contudo, definir desfecho institucional.