A campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL) protocolou, na terça-feira (20/10), pedido dirigido ao presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Kassio Nunes Marques, para que a Meta explique por que o WhatsApp afirmou não ter identificado sinais de comportamento coordenado no canal 'Exército do Lula'. A petição foi apresentada pelo plano de conformidade da Meta — mecanismo pelo qual o tribunal acompanha o cumprimento das regras eleitorais pelas plataformas — e inclui ainda a denúncia de tentativa de manipulação de buscas no Google e de assuntos do momento no X, atribuída à mobilização dos integrantes da comunidade.
O embate já passou pelo Judiciário: a campanha do PL abriu ação de investigação eleitoral alegando uso indevido de comunicação social e obteve inicialmente a suspensão da comunidade via decisão presidencial no TSE. O corregedor-eleitoral, ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, reestabeleceu o canal, mas a Presidência do tribunal voltou a retirar a comunidade do ar e condicionou seu retorno ao registro oficial nos sites da campanha do ex-presidente Lula. Após o cumprimento dessa exigência, o grupo no WhatsApp foi reativado e cresceu de forma exponencial — de cerca de 50 mil inscritos antes da votação para 1,8 milhão em 7 de outubro, 3,7 milhões no dia 12, mais de 5 milhões no dia 17 e 7,13 milhões na quarta-feira (21).
A petição cita ainda o aumento de buscas por termos negativos ligados a Flávio Bolsonaro após o debate na Band, no último domingo (18/10), e atribui ao canal uma ação orquestrada para influenciar algoritmos. O PT respondeu que, se houve ofensa, a via adequada seria o direito de resposta ou representações contra usuários. O novo pedido ao TSE acende alerta sobre a capacidade das plataformas de identificar e conter movimentações em massa que, para a campanha do PL, configurariam manipulação deliberada de temas e de ferramentas de busca.
Além de ser leitura de disputa política imediata, a iniciativa tem efeito institucional: pressiona a Meta a prestar contas num momento em que o tribunal busca padrões claros de moderação em plena reta final da eleição. Para o governo e para a oposição, o caso expõe contradições e custos políticos — da eficácia das medidas judiciais à percepção de imparcialidade da fiscalização — e coloca o TSE no centro de uma decisão que pode repercutir na credibilidade das plataformas e na confiança do eleitorado nas regras da disputa.