Depois de reunião na Casa Branca com o presidente Donald Trump, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) afirmou ter acusado o presidente Luiz Inácio Lula da Silva de ter ido aos Estados Unidos para fazer “lobby” em favor de traficantes. Segundo o parlamentar, ele pediu a Trump que o governo norte-americano qualifique o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho como organizações terroristas estrangeiras.
Na coletiva em Washington, Flávio apresentou a visita como esforço para projetar uma alternativa política ao governo federal e para reforçar uma agenda de segurança que pretende centralizar na campanha de 2026. O encontro, disse ele, também teve tom de reconhecimento à pré-candidatura: citou uma pergunta de Trump sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro e a entrega de uma “challenge coin” — símbolo militar de deferência.
A acusação contra Lula e o pedido público a Washington representam movimento calculado de campanha: transformam a segurança pública em arma eleitoral e buscam transferir ao governo uma narrativa de permissividade diante do crime organizado. Há risco, no entanto, de internacionalizar um debate que combina política interna, investigações e cooperação diplomática, o que pode provocar repercussões além do discurso doméstico.
Do ponto de vista político, a iniciativa tenta consolidar Flávio junto à base bolsonarista e ampliar o tema de segurança como diferencial frente ao governo. Para o Executivo, a fala funciona como pressão e desgaste. Resta saber como aliados internacionais e interlocutores de segurança reagirão ao pedido formal de classificação — um passo que envolve critérios e evidências que não cabem apenas ao debate eleitoral.