Em ato que atraiu milhares de apoiadores na Avenida Paulista, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) voltou a transformar-se em foco da mobilização bolsonarista e centrou o ataque no presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Sem apresentar provas novas em público, Flávio afirmou que o chefe do Executivo teria promovido uma sequência de nomeações no Supremo, na Procuradoria-Geral e na Polícia Federal com dupla finalidade: perseguir adversários políticos e blindar interesses familiares.

Na fala, o parlamentar disse ainda que Lula teria colocado um aliado à frente da Polícia Federal e que o filho do presidente, Fábio Luís Lula da Silva — conhecido como Lulinha — estaria vivendo na Espanha custeado por recursos públicos. As declarações, proferidas em tom de campanha, intensificam a narrativa de vitimização e de confronto institucional usada por seu grupo político desde 2022.

O teor das acusações coloca novamente em evidência a tensão entre Executivo, órgãos de investigação e o Judiciário. Mesmo sem evidências apresentadas no evento, o uso dessas alegações em palanque eleitoral tende a inflamar a polarização, pressionar respostas formais do PT e a exigir, do ponto de vista institucional, esclarecimentos sobre eventuais conflitos de interesse e sobre a independência das apurações.

Politicamente, o ataque busca consolidar a base mobilizada em torno do nome Bolsonaro e recolocar o tema da moralidade pública no centro do debate, cenário que pode ter efeito prático na campanha de 2026. Para o PT e para o próprio presidente, a resposta terá de equilibrar a defesa institucional com a necessidade de não alimentar ainda mais a escalada retórica que domina o atual ciclo político.