O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) intensificou nesta quarta-feira (8) a ofensiva contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao justificar sua ida a Washington para participar de uma audiência pública do Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR). Segundo o parlamentar, a viagem teve dupla finalidade: tentar convencer as autoridades americanas a postergar ou cancelar uma eventual sobretaxa de 25% sobre produtos brasileiros e, ao mesmo tempo, expor, em tom eleitoral, o que classificou como falhas da política externa do governo.

Flávio criticou a inexistência de representantes oficiais do Brasil na audiência e acusou o Executivo de colocar considerações ideológicas acima dos interesses comerciais e diplomáticos do país. Na avaliação do senador, essa suposta ausência teria contribuído para o avanço da investigação comercial norte-americana contra o Brasil. A leitura tem claro recado político: faltando cerca de 87 dias para as eleições, a participação direta junto ao USTR foi apresentada como medida para proteger exportadores e neutralizar um risco econômico que, na avaliação dele, decorre de escolhas do governo.

O discurso do parlamentar também reforçou o embate geopolítico ao afirmar que o governo federal estaria privilegiando a China em detrimento da relação com os Estados Unidos. Flávio afirmou ter levado ao USTR episódios de corrupção registrados em gestões petistas — citou casos históricos durante sua fala — e sustentou que uma eventual mudança de governo poderia alterar o tom das negociações bilaterais. São posições que visam tanto desgastar o Palácio do Planalto quanto sinalizar a Washington a possibilidade de reversão de rota em 2027.

Do lado federal, a resposta pública mais recente inclui críticas do presidente Lula à atuação da família Bolsonaro nas discussões sobre política comercial, quando chamou comportamentos entreguistas e rejeitou tentativas de subordinar o país a interesses estrangeiros. O confronto verbal entre as partes amplia o desgaste político e complica a narrativa oficial sobre autonomia nas escolhas internacionais. No plano prático, a ausência declarada de interlocução formal em um foro relevante de comércio é um ponto que pode gerar efeitos concretos — desde aumento de pressão por medidas compensatórias até risco de retaliações tarifárias — e deixa a cargo do governo a tarefa de recuperar espaço diplomático sem transformar o tema em munição exclusiva da oposição.