Em uma transmissão ao vivo, o senador Flávio Bolsonaro afirmou que o ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes, "deu um golpe" ao suspender a aplicação da chamada lei da dosimetria. A norma, aprovada pelo Legislativo, reduzia penas de condenados por tentativa de golpe de Estado, segundo a versão criticada por parlamentares bolsonaristas.
A acusação pública de Flávio ganhou repercussão imediata por transformar um questão técnica sobre aplicação de penas em instrumento de disputa política. Ao responsabilizar diretamente Moraes, o senador embute uma narrativa de usurpação do Congresso que tende a reforçar a mobilização da base e a delegitimar decisões do Judiciário entre apoiadores do bolsonarismo.
Politicamente, a reação amplia a tensão institucional: além de polarizar o debate público, a ação retórica pode pressionar deputados e senadores a adotar posturas mais firmes em defesa da lei ou em retaliação ao STF. Para o próprio tribunal, episódios assim complicam a comunicação da Corte e aumentam o custo político de decisões que mexem em temas sensíveis.
O episódio reforça, por fim, o fio de disputa sobre os limites entre os poderes em um momento de alta sensibilidade política. A escalada verbal expõe contradições entre iniciativa legislativa e controle judicial e acende um alerta sobre o preço político de decisões que afetam crimes ligados à integridade do processo democrático.