O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) afirmou em transmissão ao vivo, nesta quinta-feira (16/7), que a foto em que aparece ao lado de Luiz Phillip Machado de Moraes Mourão — o chamado 'Sicário' — foi alvo de manipulação por inteligência artificial. Na live, o parlamentar chamou a atenção para um suposto erro visível na edição da imagem, ao comentar o dedo mínimo do homem que aparece na cena, e ironizou atos do governo na mesma fala.
A imagem foi divulgada pelo portal ICL Notícias no dia 15/7, que relatou ser um registro de 2022, feito em um hotel da Zona Sul do Rio de Janeiro. Mourão foi apontado em investigações relacionadas ao Banco Master, chegou a ser preso em março de 2026 na terceira fase da Operação Compliance Zero e morreu após tentar suicídio em uma cela da Polícia Federal. Quando a foto veio a público, Flávio inicialmente disse não saber se o registro era verdadeiro e mencionou que costuma tirar muitas fotos com eleitores e apoiadores — naquela ocasião não descartou a autenticidade.
A mudança de versão do senador — de indagação sobre veracidade para uma acusação direta de edição por IA — tem implicações políticas claras. Em campanha, a credibilidade das explicações públicas é insumo político: versões contraditórias podem alimentar críticas da oposição, dar munição à imprensa e aumentar a pressão por uma solução rápida e documentada. A associação, real ou alegada, com uma figura ligada a investigações sensíveis também cria risco reputacional para a pré-campanha.
A bola agora está com a equipe do pré-candidato: ou apresenta provas técnicas da manipulação alegada ou assume e explica as circunstâncias da foto. Enquanto isso, a circulação do registro e a contestação pública expõem o desafio crescente das redes sociais e da IA para a checagem de fatos em períodos eleitorais, onde narrativas fragmentadas tendem a gerar desgaste e a ampliar incertezas sobre veracidade.