Em entrevista ao jornal O Tempo, em Minas Gerais, na quarta-feira (3/6), o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) afirmou que a imposição de novas tarifas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros é consequência da condução da política externa do governo Luiz Inácio Lula da Silva. Apontado como possível candidato do PL à Presidência em 2026, Flávio minimizou o impacto da medida sobre uma eventual campanha.
Ao atribuir o episódio ao Palácio do Planalto, o senador busca deslocar o custo político da decisão americana para a gestão do presidente Lula. A estratégia é clara: transformar uma medida de comércio internacional em argumento eleitoral, vinculando implicações econômicas externas a escolhas de política externa internas.
A declaração também serve para proteger a narrativa do pré-candidato, ao reduzir publicamente a percepção de vulnerabilidade eleitoral. Ainda assim, a crítica expõe uma fragilidade para o governo: se a sobretaxa comprometer setores exportadores, haverá pressão doméstica por resposta diplomática e por medidas compensatórias, o que pode ampliar desgaste político.
No curto prazo, a disputa de narrativa tende a se intensificar. O episódio coloca em evidência a intersecção entre diplomacia e custo econômico real, e oferece à oposição um mote fácil para questionar a condução internacional do governo — ao mesmo tempo em que testa a capacidade do Executivo de reagir sem ampliar incertezas no comércio exterior.