No plenário da convenção do PL em Brasília, Flávio Bolsonaro fez um gesto à ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro ao se referir a um episódio de saúde e disse esperar melhoras, enquanto esteve ao lado da esposa, Fernanda Bolsonaro. O momento foi apresentado pela campanha como tentativa de ampliar o diálogo com o eleitorado feminino e amenizar declarações anteriores que vinham associadas a uma imagem de desgaste entre mulheres.
Ao centro do discurso, contudo, ficou a agenda de segurança: o senador prometeu punir autores de crimes sexuais mesmo quando adolescentes e defendeu reduzir a maioridade penal. A proposta, colocada como medida prioritária de seu projeto de governo, foi recebida com aplausos pela militância no evento e reforça a estratégia de endurecimento carcerário típica do bolsonarismo.
Na mesma intervenção, Flávio voltou a colocar a anistia ampla, geral e irrestrita aos condenados pelos atos do dia 8 de janeiro como bandeira de campanha. A reafirmação mobilizou a base presente e sinaliza que, em caso de vitória, a pauta institucional — que envolve choque com o Judiciário e Ministério Público — estaria no centro do seu programa, elevando riscos de conflito entre Poderes.
O conjunto de gestos e propostas expõe uma contradição política: o esforço para reduzir o desgaste junto às mulheres esbarra em medidas duras sobre juventude e em um compromisso público de proteger presos por crimes antidemocráticos. Para 2026, a escolha tende a reforçar a fidelidade da base, mas acende alertas sobre capacidade de atrair eleitores moderados, pressiona alianças no Congresso e complica a narrativa oficial frente a instituições e ao eleitorado feminino.