O candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) divulgou nesta quarta-feira (26/8) um vídeo ao lado do ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha (Republicanos-MG) em que declara apoio à sua candidatura a deputado federal por Minas Gerais. A gravação, publicada nas redes do próprio Cunha, reforça um movimento de aproximação que já vinha ocorrendo entre os dois, com aparições conjuntas e atos públicos ao longo do ano.
No material, Flávio pediu votos aos eleitores mineiros e ressaltou o papel de Cunha em episódios centrais da política recente, numa referência ao impeachment de 2016. Cunha respondeu agradecendo o apoio pessoal, mesmo com o Republicanos mantendo formalmente posição de neutralidade na disputa presidencial. A divisão entre a postura oficial do partido e o endosso individual do ex-deputado expõe fissuras internas que podem se traduzir em atritos na base eleitoral em Minas Gerais.
A aproximação não é isenta de custo político. Eduardo Cunha teve o mandato cassado em 2016 e foi alvo de investigações que resultaram em condenação por corrupção, lavagem de dinheiro e evasão de divisas, com sentença de 15 anos. Ao associar-se publicamente a uma figura com histórico judicial tão controverso, Flávio busca sinalizar força junto ao núcleo conservador, mas simultaneamente abre espaço para críticas da oposição e questionamentos de eleitores moderados sobre critérios e risco reputacional.
Politicamente, o gesto funciona em duas frentes: reforça presença em um estado estratégico — Minas — e mobiliza parte do eleitorado alinhado às bandeiras bolsonaristas; por outro lado, complica a construção de uma coalizão mais ampla e força adesões incómodas entre aliados que preferem cautela. A movimentação acende alerta para a campanha, que terá de ponderar ganhos eleitorais de curto prazo contra o potencial desgaste institucional e eleitoral que alianças com figuras controversas podem provocar.