Flávio Bolsonaro recebeu nesta semana o apoio formal da federação União Progressista — formada por União Brasil e Progressistas — e também do partido Novo, ligado ao candidato Romeu Zema. Zema obteve pouco mais de 326 mil votos no primeiro turno (0,27% do total). O anúncio reforça a articulação do PL, que saiu das eleições com bancada expressiva: 28 senadores e 121 deputados federais.
Na coletiva em Brasília, o candidato reafirmou que pretende promover mudanças constitucionais por meio de PECs. Entre as pautas citadas estão alterações tributárias, redução da maioridade penal e uma reforma no Judiciário; ele também defendeu o fim da reeleição e disse que respeitará o processo legislativo e a decisão da maioria no Congresso. As propostas, segundo sua campanha, precisariam tramitar como emenda à Constituição.
O efeito prático, porém, encontra limites institucionais. PECs exigem aprovação qualificada — três quintos dos membros em dois turnos nas duas casas — e a bancada do PL, apesar de numerosa, está distante do necessário. Isso significa que, além dos apoios anunciados, será preciso costurar alianças mais amplas numa Câmara fragmentada, onde a Federação Brasil da Esperança (PT, PCdoB e PV) aparece com 88 deputados — seis a mais que em 2022 — e o PT aumentou presença no Senado em estados-chave.
Politicamente, as propostas anunciadas acendem alerta sobre custo político e polarização: temas como redução da maioridade penal e mudanças no Judiciário são sensíveis e podem complicar a narrativa do candidato ao ampliar desgaste junto a parcelas do eleitorado e ativar resistências institucionais. Em suma, a ambição constitucional de Bolsonaro testa sua capacidade de converter resultados eleitorais em alianças legislativas reais; sem isso, as PECs correm o risco de permanecer no plano retórico.